SÊ BEM-VINDO, 2022
batem leve, levemente, como quem chama por mim. Será chuva? Será gente? Gente não é, certamente e a chuva não bate assim. O que seria, então, que me batia na porta? Lembrei-me do poema ´Balada da Neve’, do portuense Augusto Gil, para pensar: Não me parece gente a bater. E também não chovia. Quem chamaria, então, por mim? Nada como abrir a porta para me certificar. Era 2022! Fiquei admirado. - Por cá? Mas hoje ainda é dia 30. Ainda estamos em 2021... - Sim, é verdade, respondeu. Mas, como sei que tens que escrever o teu artigo semanal com alguma antecedência, por causa da im-pressão em papel, decidi aparecer-te mais cedo. - Ah, muito obrigado. Foste mesmo muito gentil, agradeci. Continuei, porém, desconfiado e perguntei: - ... mas foi só esse o motivo pelo qual me bateste à porta? - Sim, Filipe. Acho que te portaste bem durante o ano que está a acabar e decidi facilitar-te a vida. Ok, se assim era, já tinha agradecido, era altura de passar à frente. - Olha lá, já que vieste, vou fazer a pergunta sacramental: vais ser melhor do que 2021? - Ah, isso é a tal pergunta para um milhão de dólares, respondeu. - Pois talvez seja - anui - mas é também a pergunta que se impõe. Que mais querias que te perguntasse? Silêncio... - Sinceramente, se não for para responderes a isto, para que me baterias à porta? - insisti. - Nesse sentido, tens alguma razão. Vá lá, já que fui eu que bati, sempre te posso adiantar, off the record, que sim, espero ser muito melhor do que o meu antecessor. - Mas esperas, ou vais ser? - Vá, também não posso adiantar muito mais. Mas posso prometer--te que tudo farei, com a tua ajuda, para ser mesmo melhor. Aceitas o desafio? Juntos, fico ainda mais otimista que todos ficarão mais felizes comigo do que com o 2021, fica descansado. - Então, sê bem-vindo 2022!