Associação Zero defende ponte exclusivamente ferroviária sobre o Douro e menos estacionamento nas estações da Alta Velocidade
Esta sexta-feira, a associação Zero emitiu um comunicado no qual critica a manutenção do tabuleiro rodoviáriopara a futura ponte da linha ferroviária de alta velocidade a ligar Gaia e Porto. Também são criticadas "as grandes bolsas de estacionamento", apontando ao excesso de lugares de estacionamento em Campanhã, e é defendida a opção pela estação de Gaia em Santo Ovídio.
Após análise a o Relatório de Conformidade Ambiental do Projeto de Execução (RECAPE) do troço Porto–Oiã da Linha Ferroviária de Alta Velocidade, a associação " considera que representa uma evolução positiva face às soluções anteriormente apresentadas. A reposição da estação de Vila Nova de Gaia em Santo Ovídio, em configuração subterrânea prevista na Declaração de Impacte Ambiental responde a preocupações que haviam motivado a não conformidade do anterior desenvolvimento do projeto".
Sobre a a localização da estação de Gaia em Santo Ovídio "constitui uma opção significativamente mais favorável do ponto de vista da mobilidade sustentável, permitindo uma articulação direta com a rede do Metro do Porto e potenciando a utilização do transporte coletivo por parte dos futuros utilizadores da alta velocidade", segundo a Zero, que defende que "a existência de interfaces eficientes reduz a dependência do automóvel, aumenta a área de influência das estações e maximiza os benefícios económicos, sociais e ambientais do investimento público realizado".
Nova travessia do Douro "não deve incluir capacidade rodoviária adicional"
A Zero aponta "um aumento relevante de vários impactes territoriais relativamente às soluções anteriormente avaliadas. A área diretamente afetada pelo projeto aumentou, os volumes de escavação e movimentação de terras cresceram significativamente e o número de habitações e atividades económicas afetadas é agora superior ao inicialmente previsto". Estes dados levam os ambientalistas a considerar "que a fundamentação técnica, económica e ambiental desta opção deve ser mais claramente demonstrada, garantindo que a redução dos custos de construção não ocorre à custa de um agravamento desproporcionado dos impactes sociais e territoriais".
Assim, a ZERO "reitera a sua oposição à manutenção de um tabuleiro rodoviário associado à nova ponte sobre o rio Douro. Num contexto de emergência climática, de necessidade de redução das emissões do setor dos transportes e de forte investimento na ferrovia, a criação de capacidade rodoviária adicional constitui uma opção contraditória com os objetivos da política pública".
Apelando à "redução substancial da capacidade de estacionamento prevista", a ZERO entende que "a criação de grandes bolsas de estacionamento tende a incentivar deslocações de acesso em automóvel, aumentando o congestionamento urbano, a ocupação do espaço público e as emissões associadas às viagens de primeira e última milha. Em contrapartida, os investimentos devem privilegiar a melhoria da oferta de transporte coletivo, a criação de percursos pedonais seguros e acessíveis, a instalação de estacionamento seguro para bicicletas e a integração com sistemas de mobilidade partilhada".