Ensinar música como se aprende a falar

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26-12-2025 | 16:18 |
VNG
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Ensinar música como se aprende a falar

Escrito por O Gaiense

É na Rua Central 1053, em Crestuma, numa casa aparentemente comum e sem qualquer sinalização exterior, que funciona o estúdio da Gildomúsica. À primeira vista passa despercebido, mas basta atravessar a porta para perceber que ali dentro pulsa um pequeno centro cultural, onde a música se aprende, se vive e se partilha, longe das grandes escolas e dos centros urbanos.

“Há muita falta de escolas de música nesta zona de Gaia”, começa por dizer Gil de Oliveira, responsável pelo projeto, professor e músico há mais de 20 anos. A ligação à arte vem de família: o avô foi maestro da banda local, e o contacto com os instrumentos surgiu cedo. “Comecei com o clarinete, toquei violoncelo… Quando me foi oferecida uma guitarra, foi amor à primeira vista. Foi uma paixão que tive e que dura até hoje”.


Ensinar de outra forma
Hoje, com 61 anos e residente em Oliveira do Douro, é no regresso às raízes que encontra o propósito. A casa que pertenceu aos pais estava vazia; transformou-a em escola. “Começámos a reformular, a aproveitar o espaço da melhor forma possível. O estúdio acaba por mostrar aos pais a evolução dos filhos, para que percebam que não estão aqui apenas uma hora a perder tempo”. A metodologia de ensino segue uma visão muito própria, onde o Método Suzuki tem papel central. “O uso do Suzuki é para desconstruir o que é a música e começar logo a tocar”, explica. Aqui, o aluno não começa pelas pautas e regras, mas pela experiência, pelo som e pelo contacto
com o instrumento. Só quando manifesta curiosidade em saber o porquê de cada nota é que chega à teoria musical.


Escola para todas as idades
A diversidade é outra peça fundamental. “Damos aulas de combos, ou seja, tudo o que seja cordas, mas temos professores noutras áreas também. Gostamos de incluir todos, todas as idades podem aprender. Tenho alunos de 80 anos”. A sala não distingue gerações. No mesmo dia pode entrar uma criança que ainda mal segura no instrumento e, a seguir, um adulto que decidiu cumprir um sonho adiado.
Apesar de Crestuma ser uma freguesia pequena, o estúdio já ultrapassou fronteiras. “Tenho muitos alunos da zona, mas também do Porto. Não vinham até aqui se não
houvesse algo que os fizesse querer vir, e esse algo é o estúdio”. A reputação constrói-se pelo trabalho e pelo boca a boca; basta perguntar pelo Gil que todos conhecem.
Para o futuro, o objetivo é ambicioso: integrar as freguesias vizinhas, alargar a oferta instrumental e criar uma pequena orquestra comunitária, onde diferentes estilos possam conviver lado a lado. “Quero pôr mais instrumentos e dar mais abertura à música”, confessa.

 

 

Fundador: Gil de Oliveira
Fundador: Gil de Oliveira
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As instalações
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As regras
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O empenho

 

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