Gaia palco de duas de quatro detenções da operação conjunta da PJ, polícia espanhola e Europol para desmantelar rede que desviou 140 milhões de euros em burlas informáticas

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15-07-2026 | 15:10 | |

Gaia palco de duas de quatro detenções da operação conjunta da PJ, polícia espanhola e Europol para desmantelar rede que desviou 140 milhões de euros em burlas informáticas

Escrito por Diogo Ferreira

O cabecilha e um elemento de uma organização indiciada pela prática de burlas que envolviam plataformas de falsos investimentos foram detidos em Gaia, na sequência de uma operação conjunta entre a Polícia Judiciária e a Polícia Nacional Espanhola e Europol que resultou num total de quatro detidos. As quatro pessoas foram sujeitas a prisão preventiva em Portugal, Espanha e no Panamá. Em causa esquemas “man-in-the-middle” e emissão de faturas falsas, e que terão resultado no desvio de 140 milhões de euros, obtidos através de burlas informáticas. A informação foi partilhda em comunicado pela Polícia Judiciária.

A PJ detalha que "dois dos quatro elementos desta organização criminosa, nomeadamente o cabecilha, foram detidos em Vila Nova de Gaia e no Porto, em cumprimento de mandados de busca e detenção solicitados pelas autoridades judiciais espanholas, numa operação executada pela Diretoria do Norte da Polícia Judiciária com a participação de elementos da Polícia Nacional de Espanha e da Europol".

As autoridades espanholas conseguiram, assim, desmantelar, com sucesso, dois centros operacionais estratégicos, procedendo à detenção dos seus gerentes e apreendendo mais de 170 smartphones e 15 computadores utilizados para realizar milhares de transferências.

A PJ indica que, "paralelamente à ação policial, foram apreendidos três milhões de euros em recursos obtidos de forma fraudulenta, que se encontram disponíveis para restituição às vítimas de tais crimes. O grupo de suspeitos procedeu à abertura de 800 contas bancárias e 120 contas empresariais, tendo-se apropriado de um total de 140 milhões de euros".

A investigação teve início "quando as autoridades policiais detetaram atividade empresarial que parecia legítima, mas apresentava indícios de lavagem de dinheiro, envolvendo nove pessoas singulares e 19 coletivas. Os suspeitos criaram e geriram uma rede de mais de 800 contas bancárias, utilizadas para receber avultadas quantias obtidas de forma ilícita por meio de inúmeras burlas", lê-se no comunicado.

"Os fundos angariados eram imediatamente dispersos e ocultos numa outra rede de contas bancárias, numa cadeia de transações que protegia o produto do crime, permitindo que tais quantias fossem transferidas de forma dissimulada para contas bancárias de outros países. Até ao momento, foi identificado um fluxo financeiro superior a 94 milhões de euros, ao qual se somam 61 milhões desviados em 2024 por meio de uma “fraude CEO”. Para o branqueamento das quantias subtraídas às vítimas, o grupo angariou e contou com a colaboração de 67 “money mules”, dispersas por vários países, na Europa", detalham as autoridades.

A investigação desmantelou a rede de branqueamento da organização criminosa, abrangendo tanto as suas operações nacionais quanto as suas ramificações internacionais, nomeadamente em Portugal.

 

Fotografia: PJ