A ESSÊNCIA É O TREINO

Ricardo Silva
17-07-2022 | 18:37 | | |

A ESSÊNCIA É O TREINO

Escrito por Diogo Ferreira

“Quanto mais difíceis forem os contextos dos projetos, mais aliciantes se tornam. É nas dificuldades que mais cresço”, diz Ricardo Silva, o novo treinador dos juniores do S. Félix da Marinha, que volta ao clube onde já tinha treinado os Sub 13.  

Aceitou o cargo na equipa que milita na II Divisão porque “viu ali uma boa oportunidade num clube com potencial”, e por quer “fazer crescer os jogadores, dar-lhes o prazer de jogar, e fazer com que se sintam úteis e mostrar que são capazes de se superarem”.

“Não sou egoísta e penso nos atletas e como fazê-los crescer, em primeiro lugar. No futebol de hoje em dia, há muitos treinadores à procura de resultados a qualquer custo, sem se preocuparem com o desenvolvimento dos jogadores. Estou na II Distrital, onde não há tanta pressão. Se não ensinar os miúdos nesta divisão, o que é que interessa?”, questiona, convicto que “os resultados não são o mais importante”. “Não quero ganhar de qualquer forma. As 'pessoas ao mais alto nível do futebol' vão ver a competência na área do treino e no processo do jogo que permite a evolução do jogador”, defende, recordando uma lição que aprendeu com o amigo Bruno Lage. "A lição foi que tinha de me focar apenas no meu trabalho e naquilo que eu controlo, que é o meu trabalho e a minha aprendizagem", frisa.

Com 34 anos, revela ainda ter recusado o lugar de treinador num projeto de juvenis na I Divisão, por não conseguir levar com ele os adjuntos que tinha nos juniores do Serzedo, Manuel e Vitó. “É preciso ter caráter. Eles são impecáveis e estiveram comigo em todos os momentos”, vinca.

Mas, como começou a ligação de Ricardo Silva ao futebol e porque decidiu seguir a carreira de treinador? Vamos descobrir.

Apaixonado pelo treino

As agruras e a aprendizagem contínua andam ‘de mãos dadas’ com a vida de Ricardo Silva, que deixou de jogar futebol aos 19 anos – “era raro fabricarem os óculos autorizados para jogar e, sem eles, eu não via nada”. Jogava nos distritais e recorda os tempos em que partilhou o campo com André Castro (representava o Gondomar), um amigo de infância. “Éramos vizinhos e jogávamos no meu pátio, que servia para torneios de 2x2”, conta. (Os percursos foram distintos, mas voltaram a ser vizinhos já na fase adulta).

O pai de Ricardo Silva jogou no Aliados de Lordelo, o tio foi guarda-redes no FC Porto e o primo representou o Rio Ave, por exemplo.

O novo técnico do S. Félix não frequentou a faculdade, apenas um curso de línguas de alemão, mas agarrou-se aos livros sobre futebol.

Aproveitou uma chance para ajudar o corpo técnico da formação Sub 11 do Estrela de Fânzeres, clube onde jogava na altura. “Mostrei relatórios e análises ao João Mário, que já era adjunto de Carvalhal, ainda eles estavam no Qatar (no Al Ahli Club, em 2015). A partir daí foi-me ensinando tudo”, lembra Ricardo Silva.

Já em 2017, dois meses após a morte do pai, Ricardo Silva acompanhou “um microciclo de uma semana atípica” de Carlos Carvalhal e a sua equipa técnica no Sheffield Wednesday. "O estágio apareceu num momento difícil em que estava a acabar o curso de treinador, mas deu-me alegria naquele momento". 

Durante grande parte da formação, Ricardo Silva "tinha de correr do trabalho para o curso, do curso para o hospital”. O aspirante a técnico superou as dificuldades e encontrou na metodologia da periodização tática a sua paixão. Os conhecimentos adquiridos nesta área devem-se “às longas conversas com Jorge Maciel (agora adjunto no Lille, desde 2019/20)”. “Passamos dias e dias a falar sobre o treino”, acrescenta.

Além da última experiência nos juniores do Serzedo, Ricardo Silva já passou pelos seniores do Gondomar (adjunto e observador), Sub 19 do Espinho, Sub 12 do Dragon Force (adjunto de Hélder Melo -"alguém que me apoiou muito"), nos juniores do Cesarense (adjunto e observador) e Sub 13 da Escola Benfica Gaia. Também treinou os Sub 13 do Perosinho e ainda viveu “uma experiência marcante” no CD Portugal, onde abriu o escalão de juniores.

Orientar os juniores S. Félix será um desafio aliciante

Agora no S. Félix quer implementar a sua “ideia de jogo” – “os sistemas são uma tanga, pois eles variam muito durante o jogo, o importante são os comportamentos da equipa”, completa. “O passe e a receção são fundamentais. Queremos ser intensos em todos os aspetos com um futebol atraente, ofensivo, coletivo e não a pensar em jogar a bola para um jogador referência (‘bater bola’, como chamou)”, explana o mister.

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Já orientou treinos no clube gaiense e não está desapontado: “Eles têm muita vontade, mostraram muito empenho e muita entrega”, analisa Ricardo Silva, para quem a equipa já ‘abraçou’ a sua ideia de jogo.

“Gosto muito do jogo entrelinhas, adoro jogo interior, também gosto da mobilidade dos meus jogadores, numa constante procura de linhas de passe para que não fiquem escondidos”, confessa Ricardo Silva, que aspira a assinar um contrato numa equipa profissional de topo, como treinador-adjunto.  

“Sei que há certas experiências e contextos que me faz bem passar. Se aprender em todos os contextos, o resto é passo a passo. Quero é estar bem preparado”, afirma.

“Apaixonei-me pelo treino e sou grato a Deus por me ter colocado no caminho de dois grandes amigos, o João Mário e o Jorge Maciel, pois tudo o que eu sei devo a eles. Quero agradecer à minha esposa porque ela é o meu equilíbrio”, termina.

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