Uma estalada no Óscar
Ele está sentado na primeira fila. O humorista, no palco, tenta animar as pessoas nos momentos que antecedem a entrega dos ‘óscares’, na tentativa de desanuviar o ambiente e as tensões acumuladas pela espera de se saber quem são os vencedores. O humorista diz a piada. E ele risse. Depois do riso, levanta-se, inopinadamente, dirige-se aparentemente calmo ao palco onde o humorista o espera tranquilo.
Quando se aproxima desata uma estalada no homem que ele, o agressor, achou que a piada que tinha dito sobre a esposa, ultrapassou os limites do aceitável. A organização, pouco tempo depois, dá um Óscar ao agressor. Ele agradece e... pede desculpa à plateia pelo seu comportamento mas nunca evoca o nome da pessoa que agrediu! Seguem-se uma série de festas em que Will Smith (o agressor) vai divertir-se pela noite dentro. Até que, sim, só no dia seguinte, Will Smith pede desculpa a Chis Rock (o agredido) através das redes sociais e não, como seria plausível, pessoalmente.
Este ato leva-nos para uma discussão sobre o papel dos humoristas e quais os limites de do humor praticado. Eu sei que, normalmente, a ‘vítima da piada’, se não gostar, não tendo poder de encaixe, tende a reagir. Mas lá que Will Smith se excedeu, não restam dúvidas, porque a agressão nunca é o meio para a resolução do problema. No entanto, também não vejo como se pode estabelecer parâmetros para o humor. Os parâmetros têm que ser sempre os do bom senso.
O problema é que o bom senso não é regulável, pelo que um humorista, quando diz a piada, acha sempre que o caminho escolhido está certo (caso contrário, não diria...). Visões diferentes que são, normalmente, antagónicas. Mas a verdade é esta: qual de nós, quando vimos, por exemplo, um amigo cair, por não colocar o rabo no assento certo da cadeira, não começa por soltar altas gargalhadas e só depois se vai inteirar se ele se aleijou ou não? É, e muitas vezes, o amigo que cai, não gosta da risota. Pois...